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STF suspende licença de mina de ouro na Amazônia por risco a povos indígenas

October 23, 2026

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu a licença de instalação da mina de ouro da Belo Sun na Volta Grande do Xingu (PA), atendendo a pedido do MPF que questiona a suficiência dos estudos sobre impactos a comunidades indígenas da região.

Escavadeira de grande porte em operação em mina a céu aberto

Foto: Pexels

O que aconteceu

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, suspendeu a licença de instalação do Projeto Volta Grande, mina de ouro a céu aberto da canadense Belo Sun, no município de Senador José Porfírio (PA). A decisão, assinada em 19 de outubro, atendeu a pedido do Ministério Público Federal e aponta risco de "grave lesão à ordem pública constitucional e ao meio ambiente" diante de pendências no estudo dos impactos sobre comunidades indígenas do Médio Xingu, região já afetada pela usina de Belo Monte.

Por que isso importa

O ponto central da decisão não é a mina em si, mas o Estudo do Componente Indígena. A Funai avaliou que o documento apresentado pela empresa é insuficiente e que a consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas, exigida pela Convenção 169 da OIT, não foi concluída de forma adequada. É esse tipo de exigência, e não apenas a licença ambiental comum, que vem travando grandes empreendimentos de mineração e infraestrutura em todo o país.

O que muda na prática

Para empresas e investidores com projetos perto de terras indígenas ou comunidades tradicionais, mesmo fora de áreas demarcadas, o caso reforça que simplificar o componente indígena do licenciamento é hoje um dos riscos jurídicos mais sérios do setor, com potencial de paralisar uma obra já em fase de instalação depois de anos de investimento. Avaliar esse risco antes de protocolar o licenciamento, e não depois de uma liminar, é o que separa projetos que seguem andando dos que ficam anos parados no Judiciário.

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